terça-feira, 12 de abril de 2011

Não vai ser fácil não




O Banco Central Europeu aumentou em 0.25 pontos percentuais a taxa de juro referência da zona Euro. Passámos assim do mínimo histórico de 1% para 1.25%. O problema é que este parece ser o início de um ciclo de subidas desta taxa diretora que se prevê durar até final de 2012. Aliás, vários analistas estimam que até ao final de 2011 a subida possa traduzir-se num aumento da taxa para valores a variar entre os 1.5% e os 2%. O presidente do BCE, Jean Claude Trichet, afirmou que esta subida tem como objetivo controlar o ciclo inflacionista que assola a zona Euro.

Excelente notícia para as poupanças que assim vêem os seus juros remuneratórios a subirem, mas péssima notícia para a economia em geral. Os empréstimos para as empresas e particulares ficarão muito mais caros resultando numa maior dificuldade no cumprimento das obrigações. O crédito à habitação (que representa, em Portugal, a maior fatia do crédito concedido a particulares) consumirá uma parte muito maior do rendimento disponível das famílias. E, por último, o euro valorizar-se-á face às outras moedas tornando as exportações portuguesas mais caras e penalizando o ritmo de crescimento que estas transações estavam a ter nos últimos meses.

Na faculdade aprendemos que quando existe uma subida geral de preços é necessário subir as taxas de juro tornando, assim, o dinheiro mais caro. Deste modo, as pessoas poupam mais porque os depósitos ficam mais atrativos e gastam menos. Menos gasto, menos procura, maior oferta, logo preços a descer. Nota-se que os economistas do BCE aprenderam bem a lição. Mas terão pensado, que com estes valores estão a comprometer a retoma económica dos países mundiais?Que poderão amplificar a recessão que se verifica em países como Portugal? Que milhares de famílias passarão grandes dificuldades? E pior ainda... que até esta política poderá ter o efeito contrário e resultar num aumento da inflação? Como? Simples! Historicamente associado ao aumento do valor do euro está o aumento no mesmo sentido do valor do petróleo. Com o aumento do petróleo todos os bens e serviços terão custos de produção mais elevados. Deste modo, alguém ficará a perder. Ou produtores que para escoar produtos ou serviços verão as suas margens mitigadas. Ou então consumidores que pagarão ainda mais pelos bens que supostamente deveriam ter visto o seu valor descer. Não vai ser fácil não...


sábado, 9 de abril de 2011

On top


Ouro e prata atingiram esta semana valores record. Assistimos à colocação do ouro para entrega imediata a fixar-se nos 1 473,6 euros por onça ao passo que o futuro de Junho estabeleceu-se num valor de mercado de 1 474,5 euros. Estes valores absolutamente incríveis, na medida em que os analistas previam no início do ano o fim da idade do ouro, justificam-se com o facto dos investidores procurarem ativos seguros resguardando-se assim do clima de incerteza da Europa, EUA e Japão. A subida das taxas de juro por parte do BCE para impedir a inflação, o conflito na Líbia, a crise nuclear nipónica e a incerteza quanto à dívida europeia desencadeou um clima de receio face ao futuro levando os investidores a procurarem os metais preciosos (ouro e prata) de forma a diminuirem o risco.

Confirma-se assim a valorização deste metal precioso que o blog anunciava em post anterior. Mas, até quando permanecerá este rally? Sabemos também que o dólar está em baixa. E, também sabemos que o preço do ouro está inversamente indexado às flutuações cambiais da moeda norte americana. Pelo que, quando o dólar conseguir valorizar-se iremos assistir à correção do valor do ouro. Quando ocorrerá este ponto de inflexão? Impossível determinar dado os acontecimentos mundiais completamente imprevisíveis que estão a marcar este ano de 2011. Mas, uma coisa é certa. Quando a correção de valor ocorrer será uma excelente oportunidade para exercer uma posição curta relativamente ao ouro. Estejam atentos!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vem

E assim foi no dia 6 de Abril que aconteceu o que este blog já preconizava em post anteriores como uma certeza constantemente adiada. Após uma colocação de dívida completamente catastrófica onde Portugal colocou no mercado 1 005 milhões a uma taxa que compromete efetivamente a já pouca saúde das finanças públicas Portugal viu-se obrigado a pedir ajuda financeira externa. Recorde-se que foram colocados a 12 meses 455 milhões de euros a 5,902%, e mais 550 milhões de euros a 6 meses. Neste prazo a taxa efetiva foi de 5,117%. Este valor apesar de altíssimo e incomportável esteve muito abaixo do praticado no mercado secundário onde a taxa ronda a dezena percentual. A contribuir para estes valores estiveram a aquisição de dívida pública por parte de bancos nacionais e de entidades públicas como o Fundo de Segurança Social que tem intensificado a compra de dívida nacional. Aliás, considero esta compra de dívida por parte da FSS como bastante discutível mas deixo a explanação da minha opinião para post futuro.

Mas, o que interessa é que o Estado Português encetou o recurso à ajuda externa. E este acontecimento pode ser considerado como a maior derrota do Governo Socialista. Aliás, se antes considerava necessário o FMI entrar em Portugal houve momentos em que pensei que nos safaríamos sozinhos. E, José Sócrates morre à beira da praia. Arriscamos pensando que sozinhos conseguiríamos resolver todos os problemas de financiamento. Mas o resultado final é muito pior do que se tivéssemos recorrido ao FMI logo em Dezembro ou Janeiro. Teremos que assumir os os sucessivos pagamentos de dívida entretanto ocorridos com taxas a rondar os 6 pontos percentuais. Recorde-se que uma taxa acessível a Portugal rondaria entre os 2.5% e os 3%. E, agora para além da fama pouco abonatória que ganhamos nas praças financeiras internacionais teremos que aguardar impacientemente pelas contrapartidas que o recurso à ajuda externa resultará. Não vai ser nada fácil e encontro-me bastante receoso para o futuro. Só para alertar os blogueiros relembro que o FMI na Grécia começou por cortar nos salários, reestruturar as pensões, efetuar uma reforma fiscal e um plano de privatizações. Os subsídios de Natal e férias também foram cortados nos rendimentos mais elevados e reduzidos nos menores. Para além disso, congelou os ordenados dos funcionários públicos e despediu os funcionários a contrato.

Enfim, aguardamos o que se define para Portugal...


domingo, 3 de abril de 2011

FCP CAMPEÃO 2010/2011

Ações do FCP/SAD a subir esta semana!?!?! Teoricamente, amanhã deverão subir. Mas, na minha opinião apenas a conquista da Liga Europa possibilitará uma valorização significativa do valor deste ativo financeiro. Se acreditam que a melhor equipa portuguesa poderá alcançar este título porque não arriscar uma posição longa.

terça-feira, 29 de março de 2011


Hoje, as agências de rating voltaram a atacar em força. Em particular, a Standard Poors que voltou pela segunda vez em cinco dias a cortar o rating da dívida portuguesa. Esta passou de uma classificação de BBB para BBB-. Para os menos familiarizados com este ranking esta notação é baseada numa escala alfabética onde são classificados em termos de risco diversos ativos, instituições e mais distintos instrumentos financeiros. Assim, a um ativo com pouco risco é atribuido o ranking de AAA ao passo que um ativo é considerado como lixo a partir do CCC. Assim podemos ver que Portugal está a um pequeno passo de ser considerado como lixo. Deste modo, os juros da dívida pública vão aumentar para valores totalmente incomportáveis. Aliás, com uma notação de CCC a questão poderá ser não a taxa a que a dívida é colocada mas sim se conseguimos colocar a dívida.


Também, uma importante instituição financeira portuguesa, Millenium BCP viu o seu rating ser cortado passar de BBB+ para BBB-. Deste modo, os seus acionistas viram-se obrigados a aprovar um aumento de capital no valor de 1,12 mil milhões de euros de forma a combater este rating e também devido à proximidade dos stress tests.


Enfim, penso que estamos a atingir o pico da crise que já tanto se fala há dois anos para cá.

domingo, 27 de março de 2011

FMI cada vez mais perto


Se com a crise política instalada na semana que passou o recorrer à ajuda externa ficou mais perto hoje com a notícia publicada hoje no Sunday Times não tenho a mínima dúvida que o FMI desembarcará muito brevemente numa praia lusitana.


O Sunday Times publicou hoje que os bancos por essa Europa fora estão a fazer de tudo para desfazerem-se dos títulos de dívida pública portuguesa. Este sell-off repentino prende-se com os stress tests que a banca europeia tem de realizar periodicamente. Isto acontece, porque segundo aquele jornal os titulos portugueses sujeitariam os bancos europeus a uma perda de 19,8% na pior simulação de cenário macroeconómico. Esta perda é superior à da dívida Irlandesa (19,1%) e à da divida grega (17,1%).


Esta situação dá bem conta do cenário periclitante que estamos a viver e de certeza que iremos assistir esta semana à escalada dos juros da dívida pública. A grande questão colocada no ar é se conseguiremos "sobreviver" à próxima emissão de dívida pública. Apesar de tudo, estamos perante uma altura excelente para os investidores dado que na sexta feira passada os juros das OT´s (obrigações do tesouro) atingiram novos máximos em todas as maturidades.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Já está!

E eis que se confirma o que já muitos vaticinavam. O PEC IV foi chumbado e José Sócrates demitiu-se.
Responsabilizo o governo PS pelo estado a que chegou o nosso país. Mas o que é certó é que neste momento as únicas medidas para tirar o nosso país do fosse eram as que estavam a ser tomadas. Infelizmente, os partidos da oposição e os deputados que representam o povo na assembleia da républica quiseram afundar o nosso país. Amanhã os mercados já mostrarão a Portugal o que estes irresponsáveis fizeram. Desde quando deputados a ganhar 3500 euros mensais representam o povo. Para eles tanto faz que estejamos em crise. O máximo que podem perder é passar de 3500 para 3000. Enfim!

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